Cansei,
De fitar-te os meandros com que te arrastas nesse galopar,
Cansei,
Do peso e do fardo dos teus olhos
Meu pensamento assistemático perdeu-se a decifrar-te
Perdeu-se a descobrir no mosaico dos dias o teu caminho
Meus olhos são como a terra estéril,
Como lâmpadas cegas de tanta descarga
Meu peito cheira a ti,
Cheira à rosa entreaberta
Cheira a criatura sublime.
Já estou na esquina do tempo
Passam lustros que os números não sabem medir
Aconchego a lenha da esperança
Como um peregrino acampado em noite fria
E espero
O apocalipse das tuas voltas
E se canso de esperar
Degolo a razão das coisas
Te mato no feitiço amoroso
Ou caio em ti como sem pára-quedas
Te mato… ou morremos juntos
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